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Os círculos de causalidade

A tendência humana a respeito da realidade é enxergar as coisas com visão linear e não como estruturas de realimentação circular como acontecem em grande parte dos sistemas. Isto acontece, pois a percepção deriva da linguagem, que com sua estrutura sujeito-verbo-objeto favorece a visão linear[1]. Para que os inter-relacionamentos dos sistemas como um todo sejam visíveis é necessário que se faça uso de uma linguagem compatível, feita de círculos. Sem esta linguagem há apenas visões fragmentadas e ações contraproducentes.

No pensamento linear, dizemos: “Estou enchendo um copo de água”. Isto parece muito simples para ser um sistema, mas há como pensar além do usual. A Figura 1 - Causalidade - Ponto de vista linear ilustra como a maioria das pessoas pensa (SENGE, 2002, p. 104).

causalidade-linear

Figura 1 - Causalidade - Ponto de vista linear

Na realidade observar um copo de água encher constitui um sistema circular, pois monitora-se o nível da água subir. Conforme o nível de água aumenta, percebe-se a diferença entre o estado anterior e o estado atual e regula-se a posição da torneira para o fluxo de água correto. As variáveis estão organizadas em círculo (ou loop) de relacionamentos de causa e feito, chamado de feedback. Este processo ocorre continuamente até que o copo atinja o nível de água desejado. O processo é ilustrado na Figura 6 - Causalidade - Visão sistêmica (SENGE, 2002, p. 105).

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Figura 2 - Causalidade - Visão sistêmica

A diferença entre as situações ilustradas nas figuras “Figura 1” e “Figura 2” é que a primeira proporciona uma visão linear, onde seria dito: “Estou enchendo o copo de água” e a segunda proporciona um processo com relações de feedback onde há ligações entre as variáveis “posição da torneira”, “fluxo de água” e “nível da água” (SENGE, 2002, p. 107). De acordo com Andrade et. al (2006) sem o entendimento das relações circulares, a compreensão do todo fica limitada. Assim, o pensamento sistêmico tende a buscar o entendimento da realidade por meio dos fluxos circulares, ao invés das relações lineares de causa e efeito (ANDRADE et. AL, 2006, p. 45).

No contexto do pensamento sistêmico, feedback nada tem a ver com retorno ou posição sobre uma situação. Está em um contexto mais amplo, em que nada é influenciado em apenas uma direção, pois tudo é passível de ser causa e gerar um efeito (SENGE, 2002, p. 106). Na perspectiva sistêmica, o ser humano é parte do processo de feedback, pois atua junto com as outras variáveis. Ao ver as coisas com visão sistêmica, abandonamos a premissa de que para tudo existe um indivíduo responsável, pois todos compartilham a responsabilidade de um problema gerado no sistema.

Conforme analisado, pode-se chegar a complexas conclusões sobre o processo de encher um copo com água, que é muito menos complexo do que os processos de uma organização formal. É exatamente por estes motivos que se faz necessária uma nova linguagem, de forma a descrever as coisas de forma sistêmica e não linear (SENGE, 2002, p. 109).


[1] Esta afirmação não é válida para linguagens orientais, como o Mandarim (China).

ANDRADE et. al. Pesamento Sistêmico – Caderno de Campo. Porto Alegre, Bookman, 2006. 486p.

SENGE, Peter. A Quinta Disciplina. São Paulo: Best Seller, 2002. 441p.

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