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O Homem e a Fragmentação

Para Bohm a fragmentação já se espalhou na sociedade e para cada indivíduo. O homem tende a fragmentar as coisas – dividir a arte, a ciência e a tecnologia em especialidades. Ou seja, o ambiente natural do homem é um agregado de partes existentes separadamente para ser explorado por diferentes grupos de pessoas (BOHM, 2008, p.18). Bohm (2008, p. 18) afirma que “a noção de que todos esses fragmentos existem de modo separado é evidentemente uma ilusão, e essa ilusão não chega a outro lugar a não ser a infindáveis conflitos e confusões”.

O autor explica que “de fato, e até certo ponto, o homem, e o seu pensamento, sempre tem assumido como necessário e apropriado dividir e separar as coisas, para que assim seus problemas sejam reduzidos a proporções manejáveis”. É inevitável que o homem tenda a pensar de forma fragmentada, pois as teorias o induzem a tal – são fragmentações do todo, apresentando formas diferentes de ver as coisas, como se cada forma fosse a realidade como ela é.

Ao considerar as teorias como realidades absolutas as diferenças e distinções são tratadas como divisões, como realidades absolutas separadas. Desta forma, o homem é levado a crer que o mundo é constituído por fragmentos independentes (BOHM, 2008, p. 23).

Alguém poderia dizer que a fragmentação é evidente em muitos casos, por exemplo, na divisão de cidades, bairros, etc. e que a totalidade é somente uma ilusão. De qualquer forma, esta colocação está equivocada, pois a totalidade é o que é real – a fragmentação é fruto da ação do homem, guiada pela percepção ilusória, moldada no pensamento fragmentário (BOHM, 2008, p. 23).

Nas teorias atômicas percebe-se claramente que há um todo e não fragmentações. Em níveis subatômicos, não há como separar o observador e o observado, pois o observador faz parte do fenômeno, fazendo com que se tornem aspectos imersos e interpenetrados de uma realidade completa, indivisível (BOHM, 2008, p. 25). É evidente que a totalidade também é uma teoria e está sujeita as próprias regras, portanto, não deve ser considerada como um pensamento absolutamente verdadeiro e sim como uma visão sobre o assunto, onde cabe a cada um decidir os limites de sua validade (BOHM, 2008, p. 32).

BOHM, David. Totalidade e a Ordem Implicada. São Paulo: Madras, 2008. 222p.

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